Faremos aqui uma simbiose entre a teoria e a prática, porque as duas no jogo de futebol, de mãos dadas andam, e quem rejeita a teoria mete a prática em causa. Por outro lado, quem se rege, vive e sobrevive apenas de teoria, morre numa prática nunca exercida e utópica.

Este princípio que abordo, diz-nos – citando Castelo – o seguinte, de forma breve:

  • O 1º defensor deve-se aproximar o mais rápido possível para impedir/dificultar a progressão;
  • Quando chegar perto, deverá diminuir a velocidade de aproximação;
  • Orientar o adversário para locais de menos perigo
  • Assim que tiverem reunidas as condições: desarmar ou fazer com que o adversário se vire de costas;

Trago-vos o golo do Olympiakos de Pedro Martins, no duelo frente ao PAOK de Abel Ferreira:

AQUI – VÍDEO

Pressionar/procurar desarme ou controlar? A resposta, que num exercício mentalmente prático, vai ao encontro da teoria: exercer o primeiro específico da defesa, e posteriormente, mediante o contexto – leia-se vantagem espacial e numérica – a decisão poderá ser em procurar o desarme ou controlar o adversário.

Contenção ao portador da bola. Impedir a progressão, provocar mudança de rumo por parte do adversário. Podemos pressionar ou controlar, dependendo da ideia, mas uma pressão e reação à perda de bola que não se rege com o primeiro princípio defensivo, estará mais perto do insucesso. Não basta correria e agressividade, quando simplesmente não se consegue impedir a progressão em direção à baliza da nossa equipa. Por vezes – muitas vezes, a correria não é fazer bem. Porém, o fazer bem depende de inúmeras variáveis, e o fazer bem é aumentar a probabilidade de sucesso. De nada serve ser agressivo após a perda, correr, pressionar, ranger os dentes, se dentro dessa agressividade não estiver aquele que é um aspeto tão simples: contenção, de forma a impedir a progressão.

O golo nasce depois do adversário ultrapassar individualmente três diferentes jogadores. Passagem feita, pelo não cumprimento de um tão «simples» princípio defensivo que é a contenção. Nenhum dos três foi capaz de a executar, procuram o desarme, o confronto…E o golo acabou por surgir, devido à bola e adversário terem chegado a zonas mais perigosas, leia-se perto da baliza.

Afirmar que com este texto, não há qualquer procura de descredibilizar o treinador em causa da equipa que sofreu golo, pois seria injusto visto que não foram observados jogos suficientes. Não sabendo a mensagem transmitida, nem o modelo de jogo ao pormenor, acredito que o que aqui foi exposto – regras inerentes ao momento defensivo, são e serão essenciais, seja em organização, seja em transição. Além disso, e não menos importante, trata-se de um caso isolado…Unicamente utilizado a título de exemplo, procurando a simbiose retratada no início do artigo.